Mais vale tarde que nunca

Recordo-me de em criança dizer que quando crescesse queria ser um palhaço porque gostava de fazer rir as pessoas.

Os anos foram passando e embora jamais tenha deixado de gostar de fazer rir os outros, o que queria ser foi variando – enfermeira ou obstetra, jornalista ou tradutora, hospedeira de bordo ou assistente social… A única constante foi o desejo de ser mãe.

Aos 15 anos percebi que independentemente das escolhas que viesse a fazer profissionalmente, a um nível mais profundo o que queria acima de tudo era ter filhos.

Fui/fiz muitas coisas na vida; algumas de que gostei bastante, outras não tanto e muitas mais ainda que, quase de imediato, me fizeram perceber que não me fariam sentir realizada.

Fui/sou mãe! Tenho consciência dos erros cometidos e por cometer mas a maternidade foi efectivamente a realização do meu maior sonho…

Profissionalmente poderia continuar insatisfeita mas tinha os meus filhos e isso ía bastando para me fazer feliz.

Entretanto o tempo passa sem que nos demos conta, os filhos crescem e vão sendo cada vez mais independentes. Chegar a casa após mais um dia de trabalho que em muito pouco, ou nada, preenche as minhas necessidades emocionais e sentir o “vazio” de não mais ter pequeninos para cuidar (empty nest) foi-se tornando cada vez mais difícil de gerir mas, por comodismo ou medo da mudança, fui persistindo…

Quebrei quando o meu filho mais velho sofreu um acidente e a consciência da fragilidade da vida me abalou os alicerces.

Ele recuperou rápido; eu, nem por isso…

Fiquei durante muito tempo perdida, vulnerável e frágil como nunca e comecei a questionar tudo um pouco – a minha vida pessoal, o meu EU, mas sobretudo a minha vida profissional.

Comecei à procura de “mim”, do que me faria sentir realizada (maternidade à-parte), do que me daria prazer e me faria sorrir.

Percebi que, toda a minha vida, quando pensava no que mais gostava de fazer estava sempre presente a paixão por construir coisas, criar, transformar… e pela escrita!

A primeira transformação teria que ser em mim; quebrar velhos hábitos, vencer inseguranças e acreditar em mim!

Mahatma Gandhi disse “Nao é de todo tarde demais. Tu apenas ainda não descobriste do que és capaz”.

Por isso, aos 49 anos (late bloomer), eu escolho reiniciar o caminho para a descoberta do que sou capaz, escolho acreditar que de facto não é tarde demais e pretendo apreciar cada minuto da jornada…

Pelo meio, e como parte do processo, irei escrevendo o que o coração me ditar…

Até breve!

Better late than never

I remember thinking, as a child, that I would like to be a clown when I grew up because I loved to make people laugh.

Years went by and though I never stopped loving to make others laugh what I wanted to be would vary – a nurse or an obstetrician, a journalist or a translater, an air hostess or a social assistant… The only constant was the desire to be a mother.

At the age of 15 I realised that, regardless of the choices I might make professionally, at a deeper level what I wanted most was to have children.

I was/did many things in life; some I quite liked, others not so much and many more that I, almost immediately, knew would not make me feel accomplished.

I was/am a mother! I’m aware of the mistakes made and still to be made but matherhood was indeed the realisation of my biggest dream!

Professionally I could carry on feeling unsatisfied but I had my children and that would suffice to make me happy.

In the meantime the years go by without us realising, the kids grow and become more and more independent. Getting home after a working day that would add very little or nothing at all to the fulfilment of my emotional needs, and feel the “emptiness” of no longer having “little ones” to look after (empty nest) became more and more difficult to manage but, due to convenience or the fear of change, I persisted…

I broke down when my oldest son had an accident and the awareness of life’s fragility shook me to the core.

He recovered quite rapidly; Me, not so much…

I was, for a very long time, lost, vulnerable and fragile as never before and started to question a lot of things – my personal life, my “self”, but above all my professional life.

I started to look for “ME”, for what would make me feel accomplished (matherhood aside), for what would give me pleasure and would make me smile.

I realised that, my whole life, whenever I though of what I liked most to do, the passion for building, creating or transforming things was always present… as was the love for writting!

The first transformation would have to happen within myself; to break old habits, to conquer insecurities and to believe in me!

Mahatma Gandhi once said ” It’s not too late at all. You just don’t yet know what you are capable of”.

Therefore, at the age of 49 (late blomer), I choose to reinitiate the path to the descovery of what I can do, I choose to believe that, indeed, it is not too late and I intend to enjoy every minute of the journey…

In the middle, and as part of the process, I will write whatever my heart dictates…

See you soon!

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