Emoções

“Não sei o que é não ter emoções profundas, mesmo quando não sinto nada sinto-o completamente”

Há momentos em que me comovo inexplicavelmente.

Qual onda de marés vivas a emoção surge tão de repente que chega a roubar-me a respiração…

Pode ser uma nuvem num céu límpido, um ramo ou uma simples folha numa árvore, uma criança a brincar, uma mãe que passa por mim com os seus filhos, um gesto, uma palavra, uma música, uma recordação… enfim,…tudo!

Está-me na matriz este sentir intensamente que é tanto uma benção quanto uma maldição e que tantas vezes espanta ou confunde quem me rodeia.

“Drama queen”, “exagerada”, são descrições que oiço com frequência e que se em tempos me magoaram hoje me fazem apenas encolher os ombros porque já não “estou nem aí”…

Se gostava de ser diferente?

Às vezes…

Mas recordo-me de, há muitos anos atrás, um amigo me ter perguntado: “Se tivesses que escolher entre sentir dor e não sentir nada, o que escolherias?” ao que respondi sem hesitar, “Sentir dor!”, porque já na altura tinha consciência de que o importante é sentir… dor ou prazer mas sentir, sempre…

Emoções?…

Venham daí,…recebo-as de braços abertos!

Emotions


There are moments when I get inexplicably moved.

Like a tidal wave the emotion appears so suddenly that it can steal my breath…

It can be a cloud in a clear sky, a branch or a simple leaf on a tree, a child playing, a mother passing by with her children, a gesture, a word, a music, a memory… in sum… anything and everything!

Today it was the vision of a young man walking in a sort of “clumsy way”, with a backpack, on the side of the road.

Why?

I can only say that the random thoughts came in chain and when I realised I was wiping the tears and trying to “shake” the feeling, to exit that register…

I could blame menopause’s hormonal changes for it but the truth is I’ve always been an endless source of emotions to the skin.

It’s in my matrix this intense way of feeling that is both a blessing and a curse that so often astonishes or confuses those around me.

“Drama queen”, “exaggerated” are just some of the descriptions I frequently hear and if at times they hurt me nowadays they only make me shrug because I couldn’t care less…

Would I like to be different?

Sometimes…

But I remember, many years ago, a friend asking me:” If you had to choose between feeling pain or nothing at all, what would you choose? to which I replied, without hesitation, “To feel pain!” because even then I was already aware that what’s important is to feel, pain or pleasure but to feel, always….

Emotions?…

Let them come, I’ll welcome them with open arms!

Mirror, mirror on the wall…

Still barely awake I turn on the tap for my morning shower and, as I turn around, I come across the mirror and the reflexion of a body that had never truly pleased me but that, in the last years, had largely contributed to the decline of my self-esteem.

I grimaced in disgust and, frustrated, walked into the shower and ran the curtain trying not to let discouragement mark the beginning of the day.

Choosing an outfit would follow – yet another daily battle to which I should already be accustomed and that almost always ended with a shrug as if to say “Screw it. It could be worse…”

I know the theory to boost self-esteem, the mantras that, if repeated regularly, will help us shift our focus and start to really accept and appreciate our image. “I am beautiful! I love my body! I love myself!…”

Easier said than done but, when I remember it, I do it.

In the meantime I make the decision to not only accept but to seek to transform.

Exercise (argh…) and nutricional reeducation will be on the agenda and I hope the results will match the effort.

Healthy mind in a healthy body is the goal!

Once achieved I believe that the morning rituals will no longer end with a shrug and words of resignation but with a wink and a “Damn, I look amazing!”

Espelho meu, espelho meu…

Ainda mal desperta abri a torneira da banheira para o duche matinal e, ao virar-me, deparei-me com o espelho e o reflexo de um corpo que jamais me agradara verdadeiramente mas que nos últimos anos em muito contribuíra para o declínio da minha auto-estima.

Fiz um esgar de desagrado e, frustrada, entrei na banheira e corri a cortina procurando não permitir que o desânimo marcasse o começo do dia.

Seguir-se-ia a escolha da roupa – mais uma batalha diária à qual já deveria estar acostumada e que quase sempre terminava com um encolher de ombros do género “Que se lixe! Podia estar pior…”

Conheço a teoria do trabalhar a auto-estima, os mantras que, se repetidos regularmente, nos ajudarão a mudar o foco e a começarmos realmente a aceitar e apreciar a nossa imagem: “Eu sou linda! Eu amo o meu corpo! Eu amo-me!…”

Mais fácil de dizer do que fazer mas, quando me lembro, faço-o.

Entretanto tomo a decisão de não apenas aceitar mas de transformar.

Exercício físico (argh…) e reeducação alimentar estarão na ordem do dia e espero que os resultados correspondam ao esforço.

Mente sã em corpo são eis o objectivo!

Uma vez atingido acredito que os rituais matinais não mais terminarão com um encolher de ombros e palavras de resignação mas com um piscar de olho e um “Ena, estou fantástica!”

Answers

I came to the beach to feel the wet sand on my feet and to breathe the air smelling of sea.

I came to re-energise, to unload negative energies and to connect to the earth.

There are days, like today, when I feel like I’m suffocating within myself as if I were drowning in a feeling I cannot define but that seems too big and too intense for me to carry inside.

To look for answers that we know can only be found within us can be overwhelming.

It is said that “ignorance is bliss” and, in moments like this, it is so freaking true…

It’s just that, too often, the answers we find are not the easiest to fit in the life we’re living.

Quite the opposite…

They force us to understand that this feeling that is smothering us is, frequently, the refuse to accept some of those answers for they will most likely entirely change a path defined long ago and that we, more or less comfortably, have gotten used to following.

To conquer the fear in order to accept that change is necessary and to decide to act is not easy but today I read a sentence that said something around these lines “A bird, when it’s landing, does not fear that the branch might be too weak to sustain it because it trusts its wings”.

So it shall be…

Respostas

Vim até à praia para sentir nos pés a areia molhada e poder respirar o ar com cheiro a mar.

Vim para reenergizar, para descarregar energias negativas e me ligar à terra.

Há dias, como hoje, em que me sinto sufocar dentro de mim como se me afogasse num sentimento que não consigo definir mas que parece grande demais para o comportar.

Isto de procurarmos respostas que sabemos só poderão ser encontradas dentro de nós consegue ser avassalador.

Diz-se em Inglês “ignorance is bliss” (a ignorância é uma benção) e em momentos como este é tão tramadamente verdade…

É que, demasiadas vezes, as respostas que encontramos não são as mais fáceis de encaixar na vida que levamos.

Pelo contrário…

Obrigam-nos a perceber que este sentimento que nos sufoca é muitas vezes a recusa em aceitarmos algumas dessas respostas pois que poderão alterar por completo um rumo há muito definido e que, mais ou menos confortavelmente, nos habituámos a seguir.

Conquistar o medo para conseguirmos aceitar que a mudança é necessária e nos decidirmos a agir não é fácil mas hoje li uma frase que dizia algo como “Um pássaro, ao poisar, não receia que o ramo seja demasiado fraco para o sustentar porque confia nas suas asas”.

Assim terá que ser…

Mais vale tarde que nunca

Recordo-me de em criança dizer que quando crescesse queria ser um palhaço porque gostava de fazer rir as pessoas.

Os anos foram passando e embora jamais tenha deixado de gostar de fazer rir os outros, o que queria ser foi variando – enfermeira ou obstetra, jornalista ou tradutora, hospedeira de bordo ou assistente social… A única constante foi o desejo de ser mãe.

Aos 15 anos percebi que independentemente das escolhas que viesse a fazer profissionalmente, a um nível mais profundo o que queria acima de tudo era ter filhos.

Fui/fiz muitas coisas na vida; algumas de que gostei bastante, outras não tanto e muitas mais ainda que, quase de imediato, me fizeram perceber que não me fariam sentir realizada.

Fui/sou mãe! Tenho consciência dos erros cometidos e por cometer mas a maternidade foi efectivamente a realização do meu maior sonho…

Profissionalmente poderia continuar insatisfeita mas tinha os meus filhos e isso ía bastando para me fazer feliz.

Entretanto o tempo passa sem que nos demos conta, os filhos crescem e vão sendo cada vez mais independentes. Chegar a casa após mais um dia de trabalho que em muito pouco, ou nada, preenche as minhas necessidades emocionais e sentir o “vazio” de não mais ter pequeninos para cuidar (empty nest) foi-se tornando cada vez mais difícil de gerir mas, por comodismo ou medo da mudança, fui persistindo…

Quebrei quando o meu filho mais velho sofreu um acidente e a consciência da fragilidade da vida me abalou os alicerces.

Ele recuperou rápido; eu, nem por isso…

Fiquei durante muito tempo perdida, vulnerável e frágil como nunca e comecei a questionar tudo um pouco – a minha vida pessoal, o meu EU, mas sobretudo a minha vida profissional.

Comecei à procura de “mim”, do que me faria sentir realizada (maternidade à-parte), do que me daria prazer e me faria sorrir.

Percebi que, toda a minha vida, quando pensava no que mais gostava de fazer estava sempre presente a paixão por construir coisas, criar, transformar… e pela escrita!

A primeira transformação teria que ser em mim; quebrar velhos hábitos, vencer inseguranças e acreditar em mim!

Mahatma Gandhi disse “Nao é de todo tarde demais. Tu apenas ainda não descobriste do que és capaz”.

Por isso, aos 49 anos (late bloomer), eu escolho reiniciar o caminho para a descoberta do que sou capaz, escolho acreditar que de facto não é tarde demais e pretendo apreciar cada minuto da jornada…

Pelo meio, e como parte do processo, irei escrevendo o que o coração me ditar…

Até breve!

Better late than never

I remember thinking, as a child, that I would like to be a clown when I grew up because I loved to make people laugh.

Years went by and though I never stopped loving to make others laugh what I wanted to be would vary – a nurse or an obstetrician, a journalist or a translater, an air hostess or a social assistant… The only constant was the desire to be a mother.

At the age of 15 I realised that, regardless of the choices I might make professionally, at a deeper level what I wanted most was to have children.

I was/did many things in life; some I quite liked, others not so much and many more that I, almost immediately, knew would not make me feel accomplished.

I was/am a mother! I’m aware of the mistakes made and still to be made but matherhood was indeed the realisation of my biggest dream!

Professionally I could carry on feeling unsatisfied but I had my children and that would suffice to make me happy.

In the meantime the years go by without us realising, the kids grow and become more and more independent. Getting home after a working day that would add very little or nothing at all to the fulfilment of my emotional needs, and feel the “emptiness” of no longer having “little ones” to look after (empty nest) became more and more difficult to manage but, due to convenience or the fear of change, I persisted…

I broke down when my oldest son had an accident and the awareness of life’s fragility shook me to the core.

He recovered quite rapidly; Me, not so much…

I was, for a very long time, lost, vulnerable and fragile as never before and started to question a lot of things – my personal life, my “self”, but above all my professional life.

I started to look for “ME”, for what would make me feel accomplished (matherhood aside), for what would give me pleasure and would make me smile.

I realised that, my whole life, whenever I though of what I liked most to do, the passion for building, creating or transforming things was always present… as was the love for writting!

The first transformation would have to happen within myself; to break old habits, to conquer insecurities and to believe in me!

Mahatma Gandhi once said ” It’s not too late at all. You just don’t yet know what you are capable of”.

Therefore, at the age of 49 (late blomer), I choose to reinitiate the path to the descovery of what I can do, I choose to believe that, indeed, it is not too late and I intend to enjoy every minute of the journey…

In the middle, and as part of the process, I will write whatever my heart dictates…

See you soon!